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Ciclismo

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Cadência de pedalada

ciclismos Posted by ciclismos at 08:59 AM on January 22, 2009

Durante muitas décadas, os investigadores tentaram encontrar a cadência de pedalada óptima no ciclismo. O foco principal foi direccionado sobre efeito da cadência na eficiência (Gaesser & Brooks, 1975; Hagberg e outros. 1981; Faria e outros. 1982; Boning e outros. 1984; Coast e 1985 Welch; Chavarren e Calbet 1999; Marsh e outros. 2000; Hansen e outros. 2002), no entanto, outros indicadores foram também usados (Patterson & Moreno 1990; Marsh & Martin 1995; Takaishi e outros. 1996; Neptun & Hull 1999; MacIntosh e outros. 2000). Foss & Allén (2005), Lucia (2001), Hansen, Jensen & Pedersen (2006), Mornieux, Guenette, Sheel & Sanderson (2007), estudaram e determinaram a influência da cadência de pedalada, ou seja o número de revoluções por minuto em diferentes indicadores., Foss & Allén (2005), Hansen, Jensen & Pedersen (2006) determinaram como indicador performance e verificaram que a cadência de pedalada desempenha um papel crucial na mesma.

 

Patterson e Moreno (1990) referem que o termo “optimal cadence” (cadência óptima) pode diferir, dependendo se os autores se referem à cadência mais económica, á máxima potência produzida, RPM que promova menor fadiga ou à cadência mais confortável. De qualquer forma, para um ciclista profissional a cadência óptima, é aquela que produz melhor desempenho.

 

Di Prampero (1986) afirma que no ciclismo, o desempenho é determinado pela velocidade média (metros por segundo), e a velocidade é determinada pela capacidade de consumo de energia (joules por segundo) e pela economia do trabalho (joules por o metro) (velocidade = capacidade de consumo de energia/economia do trabalho). Assim, uma maior capacidade de consumo de energia e uma superior economia de trabalho melhorarão o desempenho. A economia de trabalho é influenciada pela cadência (Foss & Hallén, 2004), mas na execução de uma performance óptima, o ciclista deve escolher uma cadência que dê a combinação óptima entre a capacidade de consumo de energia e a economia do trabalho.

 

O efeito da cadência no desempenho e na capacidade de consumo de energia não foi ainda exaustivamente investigado. Nielsen et al. (2004) compararam performances a uma cadência escolhida livremente pelo atleta (FCC) com performances FCC ±25% em sujeitos de moderadamente treinados, durante um teste de carga constante até á exaustão (duração 7-10 minutos). Nenhuma diferença foi encontrada entre FCC (média 78 RPM) e FCC - 25% (média 59 RPM), mas o tempo ate á exaustão era mais longo em ambos quando comparados com o FCC + 25% (média de 98 RPM).

 

Foss e Hallén (2004) compararam o desempenho entre cadências de 60, 80, 100 e 120 RPM em ciclistas de elite durante um teste incremental ate á exaustão (duração 4-7 minutos). Todos os sujeitos revelaram melhor desempenho a 80 RPM. Foi verificada uma correlação entre a performance a diferentes cadências de pedalada e a eficiência, indicando que a capacidade de consumo de energia quase não é afectada pela cadência.

 

Por outro lado, os mesmos autores, sugerem que durante exercício prolongado o mesmo não se verificará. Durante o exercício de curta duração (_3-8 minutos), a capacidade aeróbia máxima de consumo da energia é muito determinada pelo “uptake” de oxigénio máximo, que provavelmente é pouco afectado pela fadiga muscular. Durante o exercício prolongado, a fadiga muscular afectará a capacidade máxima de consumo energia e a fadiga do músculo pode ser dependente da cadência. Assim, foi considerada a hipótese de que a razão porque os ciclistas em contexto de competição não escolhem a cadência mais eficiente, é que a fadiga surge mais rapidamente a cadências mais baixas do que a cadências mais elevadas. Esta hipótese é reivindicada por alguns autores que a sugeriram baseando-se em medidas indirectas (Patterson e Moreno 1990; Takaishi e outros. 1996). Foss & Hallén, procurando estudar tal hipótese e pretendendo verificar a mesma através de medição directa, verificaram que embora a cadência tida como mais eficiente na realização de um teste de cerca de 30 minutos em condições idênticas às de competição fosse a de 80 RPM, os ciclistas registaram menor fadiga a 100 RPM. Assim, foi sugerido pelos mesmos autores, que os ciclistas de elite desempenham uma melhor performance à cadência mais eficiente durante contra-relógios de cerca de 28 minutos, no entanto, a capacidade de consumo de energia é superior a cadências mais elevadas.

 

Hansen, Jensen & Pedersen referem que ao pedalar a um “Power output” constante, o “uptake” de oxigénio (VO2), ou sua despesa energética, depende de, entre outros factores, a cadência de pedalada. Para intensidades moderadas de exercício uma relação aproximadamente em forma de U foi descrita entre o número de RPM e o VO2, os valores mínimos desta curva encontram-se aproximadamente entre as 40 e as 75 Revoluções por minuto (RPM) (Coast & Welch, 1985;Marsh & Martin 1993; Takaishi et al. 1996, 1998; Vercruyssen et al. 2002). Com o crescimento da intensidade do exercício a posição desta frequência de pedalada energeticamente óptima (OPR) é deslocada para cima e pode alcançar 80 RPM aproximadamente 80% do pico VO2 (Brisswalter, 2000; Foss e Hallén 2004). Além de se ter verificado esta tendência para grupos de individuas, foi também verificada e existência de variações individuais a determinada intensidade (Hintzy e outros. 1999; Foss e Hallén 2004). Uma observação interessante, e como já referido anteriormente, é que, durante longos períodos os ciclistas escolhem frequentemente cadências de pedalada em torno de 90 RPM (Lucia et al. 2001). Esta frequência de pedalada livremente escolhida (FCPR) é consideravelmente mais elevada do que o OPR correspondente. Ou seja os atletas parecem preferir um número de RPM mais elevado do que a frequência de pedalada óptima do ponto de vista energético. Um consumo energético baixo seria considerado normalmente vantajoso para o desempenho de um exercício prolongado como acontece no ciclismo de estrada (Jeukendrup et al. 2000). A cargabilidade no sistema do transporte do oxigénio, e notavelmente a função do coração e ventilação, seria mais baixa. A depleção de recursos energéticos que podem ser disponibilizados durante o exercício em quantidades limitadas, tais como o glicogénio muscular, ocorreria mais lentamente, o que levaria a um atraso cronológico no aparecimento da fadiga (Sahlin et al. 1998). Poder-se-ia consequentemente especular que o uso de um menor número de RPM menor do que o adoptado pelos ciclistas durante os períodos de velocidade relativamente constante poderia ser vantajoso para alguns ou muitos dos ciclistas (Hansen, Jensen & Pedersen, 2006).

 

Um aspecto interessante, é que na literatura por nós encontrada, não encontramos nenhum estudo que verificasse qual o número de revoluções por minuto que os ciclistas efectuam durante nos treinos. Assim, não sabemos se os ciclistas revelam estas diferentes performances como efeito do trabalho que desenvolvem diariamente em contexto de treino, ou se pelo contrário é por vantagens fisiológicas decorrentes do trabalho a determinado número de RPM.

 

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