Ciclismos - Avaliação, planeamento e controlo de treino

Ciclismo

Estudos, opinião e dicas

Sobrecarga e lesões no ciclismo

ciclismos Posted by ciclismos at 09:03 AM on January 22, 2009

"Em profissionais são comuns as tendinites de joelhos e no Tendão de Aquiles e também as dores na região lombar, no pescoço e dos músculos do trapézio (região lateral do pescoço, próximo aos ombros)", reporta Cássio Paiva, ciclista brasileiro que venceu a Volta de Portugal em bicicleta, em 1992.

 

O ciclismo é uma actividade bastante difundida não só como desporto competitivo, mas também como actividade recreativa, física e fisioterapêutica. Uma das lesões mais comuns no ciclismo é a dor anterior no joelho (Wolchock, 1998). Segundo Hannaford et al (1986) lesões por sobrecarga na articulação do joelho correspondem a 25% das lesões reportadas por ciclistas de todos os níveis.

 

A etiologia destas lesões é muito variada. Segundo Gregor & Wheeler (1994) o tamanho do pedal e consequentemente o tamanho da área de contacto do pé com o pedal é um dos factores que afecta no desenvolvimento de lesões crónicas no membro inferior. O tipo de pedalada (Prilutsky e Gregor, 2000) e o ângulo do tronco (Brown et al, 1996) também são factores determinantes na sobrecarga articular. Francis (1986) descreve o mau alinhamento nas estruturas do pé como sendo um factor que afecta na cinemática do joelho, consequentemente provocando dor e lesões ao nível desta articulação.

 

É necessário incorporar a esta, a cinética do membro inferior durante o ciclismo, para que seja possível o estudo das forças e momentos durante a pedalada e avaliar o mecanismo potencial das lesões (Gregor & Wheeler, 1994).

 

Além da avaliação do potencial lesivo, o conhecimento das forças articulares e momentos musculares permite a análise das potências musculares das articulações envolvidas no movimento, que fornece indicadores para a avaliação da técnica utilizada pelo atleta durante o ciclismo.

 

Na maioria das vezes, o ajuste da bicicleta é feito com base em “tentativa e erro”, ocorrendo maus ajustes na posição do selim, guiador ou dos “tacos” das sapatilhas. Estes ajustes têm sido relacionados com a ocorrência de lesões, além disso, acarretam maior gasto energético, afectando o desempenho. Pequenos desajustes no posicionamento foram também relatados como uma das principais causas de lesões nos joelhos, bem como por promover alterações em características biomecânicas da pedalada.

 

Quando o ciclista pedala com o selim muito baixo e/ou avançado pode ocorrer uma flexão ou uma “movimentação” médio-lateral excessiva do joelho, enquanto que com o selim muito alto e/ou recuado pode ocorrer uma tensão excessiva dos músculos posteriores da coxa podendo ocasionar lesões como, por exemplo, tendinites. A ocorrência de lesões nesta articulação está ligada ao facto da grande magnitude de força muscular gerada pelo quadríceps durante o ciclismo, a qual é transmitida ao movimento principalmente por esta articulação. Isso faz com que uma flexão excessiva da articulação do joelho leve a uma maior carga de compressão na articulação patelo-femoral, à medida que a flexão aumenta.

 

Alguns autores associam esta sobrecarga á condromalácia da patela, que é uma lesão da cartilagem articular deste osso devido ao excesso das forças de cisalhamento (”atrito”) entre a patela e a porção distal do fêmur durante ou após esforços repetitivos de flexão do joelho. O sintoma mais comum é a dor atrás da patela, especialmente nas subidas ou durante longos percursos com pedaladas lentas. O cisalhamento dá-se devido à acção do músculo anterior da coxa (o quadríceps) que força a patela contra o fêmur para poder estender a perna no momento da pedalada. Tal compressão é maior no início da extensão. A presença de um mau alongamento da musculatura isquiotibial (posterior da coxa) é um agravente do quadro.

 

 

É de realçar que, ajustes discretos na bicicleta, como por exemplo, pequenas alterações no ângulo de inclinação do selim podem minimizar dores relacionadas ao ciclismo, especialmente aquelas relacionadas com problemas urológicos e andrológicos causados pelo stress devido à pressão sobre o períneo no contacto com o selim.

 

Ao observarmos atentamente os tipos de lesão mais frequentes no ciclismo, podemos rapidamente verificar, que em grande parte destas, a manipulação de aspectos biomecânicos pode efectivamente resolver os problemas. Assim, grande parte das mesmas são devidas á sobrecarga exercida promovida, ou por um mau posicionamento em cima da bicicleta, ou por uma regulação incorrecta da mesma. Assim, em seguida, passamos a apresentar os tipos de lesão mais frequentes no ciclismo. 

 

QUEDAS
A maior incidência de lesões no ciclismo é decorrente de quedas e acidentes com o ciclista.

 

TENDINITES NOS JOELHOS

 

Cerca de 56% do ciclo do pedal são feitos pelo músculo Vasto Medial. Uma pedalada com técnica errada ou pedalada com muita sobrecarga (subidas, cadências demasiado baixas) vai sobrecarregar esta musculatura e pode causar lesões.

 

LOMBALGIA
São as dores lombares, mais conhecidas como dores nas costas. Em geral é decorrente da posição mal ajustada do ciclista sobre a bicicleta. O mais comum é a dor na região do músculo do quadrado lombar (fica entre a primeira vértebra lombar até a segunda vértebra sacral, conhecidas como L1 e S2). A escolha do tamanho do quadro e as regulações correctas são o caminho para evitar as lombalgias. Alongamentos, antes e depois do exercício, também são eficazes.

 

ESTIRAMENTOS E CONTRATURAS

 

Ocorre principalmente no gastrocnémios e nos quadríceps, em geral por, overuse (tradução literal do inglês: excesso de uso).

 

 

PARESTESIA PENIANA

 

Nada mais é que a dormência e falta de sensibilidade na região entre as pernas, que vai apoiada no selim da bicicleta. Nas mulheres ocorre a parestesia dos grandes lábios. O nervo podendo, quando submetido a uma compressão por longo período de tempo, passa a ter menor sinal de impulso nervoso, o que leva a perda de sensibilidade temporária. Não há relatos de perda de potência devido ao ciclismo. 

 

 

FACITES PLANTARES

 

É a sensação de queimação na planta do pé do ciclista. Ocorre devido ao atrito do pé com a parte interna da sapatilha.

 

 

 Avaliação do Posicionamento Ideal

 

 

Tal como podemos verificar anteriormente, a grande maioria das lesões típicas do ciclismo devem-se á sobrecarga exercida sobre determinados tecidos. Essa sobrecarga é regularmente causada por um mau posicionamento em cima da bicicleta, assim, em seguida passamos a identificar o que seria um bom posicionamento em cima da bicicleta.

 

A posição ideal do selim seria aquela onde todos os parâmetros biomecânicos propostos por Burke e Pruitt estivessem correctamente ajustados, sendo estes: altura do selim (distância entre a superfície do selim e o centro do eixo do pedal, com o crenco alinhado com o do tubo do selim) ajustada de forma que seja mensurado um ângulo relativo de 150° a 155° para o joelho; e o alinhamento da face da patela com o eixo do pedal. Para a realização destes ajustes, muitas vezes faz-se necessário reajustar o selim quanto ao seu recuo/avanço, ou seja, colocá-lo mais para frente ou mais para trás, assim como ajustar altura e posição do guiador.

 

Categories: None