Ciclismos - Avaliação, planeamento e controlo de treino

Ciclismo

Método de trabalho

O nosso método de trabalho, baseia-se na prescrição de treino com base em avaliações directas e indirectas, em testes de terreno e/ou "laboratório". O planeamento é elaborado de acordo com o(s) instrumento(s) de treino que cada um dos "nossos" ciclistas dispõe (Pulsómetros ou cardiofrequencimetros, indicadores de potência, etc).

No caso do ciclista possuir um instrumento capaz de registar e guardar as informações relactivas ao treino (como por exemplo: Polar Pro trainer, SRM ou Garmin), e dependendo do tipo de colaboração estabelecida com a nossa entidade, estas informações poderão ou não ser alvo de estudo e análise total ou parcial, diariamente, semanalmente ou mensalmente, para melhor controlo, avaliação e eventual reajuste do processo de treino.

Os planeamentos elaborados podem ser mensais ou trimentrais e a possibilidade de reajustes ao planeamento enviado (por eventuais situações em que o ciclista não possa cumprir os treinos previamente indicados) reserva-se apenas a alguns pack´s de treino. 

Uma proposta metodológica de planeamento de treino

Tendo em vista a obtenção de uma preparação físico-desportiva de excelência, devemos dividir o nosso planeamento em vários mesociclos, tendo cada um deles os seus objectivos específicos e estando orientados para um objectivo final geral (macrociclo) que os implica a todos.

Assim, de entre varias propostas metodológicas e apenas com o intuito de apresentar uma delas, podemos considerar dentro de um macrociclo  3 mesociclos, os quais devem respeitar a seguinte ordem: primeiro um mesociclo de acumulação, em segundo um mesociclo de transformação, e em terceiro um mesociclo de realização.  

No mesocilo de acumulação, devemos desenvolver a formação técnica de base, a resistência aeróbia e a força máxima.

No mesociclo de transformação, devemos desenvolver as resistências de força, resistência mista ou anaeróbia e a tolerância á fadiga da técnica.

No mesociclo de realização, devemos desenvolver capacidades de velocidade, promover ma preparação integrada e o domínio técnico e táctico.

 

No mesociclo de acumulação começamos por desenvolver as capacidades base e fundamentais que nos irão permitir ter um rendimento óptimo. Mas, como não chega ter as capacidades, (por exemplo: não adianta ter muita força se não a conseguir aplicar no gesto da pedalada, ou não adianta ter um VO2max óptimo se não souber andar de bicicleta), então, no mesociclo de transformação vamos tentar melhorar a forma como aplicamos essas mesmas capacidades no nosso desporto, ou no nosso caso sobre a bicicleta, por outras palavras, vamos transformar as capacidades físicas do ciclista em capacidades funcionais deste. No mesociclo de realização, e tendo por base a ideia de que já passamos e obtivemos sucesso nos mesociclos anteriores, o nosso intuito é colocar nesta fase o atleta a render ao seu nível (actual) máximo, ou seja e em linguagem corrente, é “afinar” as capacidades e o rendimento do atleta para que este esteja capaz de realizar o seu desempenho no máximo das suas capacidades.

 

Assim, e no que se refere á força, no mesociclo de acumulação, começamos por desenvolver a força máxima, pois esta é determinante no desempenho do atleta, quer enquanto a força máxima que o atleta é capaz de gerar quando precisa de transpor um obstáculo, quer porque segundo alguns autores, quanto maior for a força máxima, então em competição e a ritmos baixos, o atleta vai utilizar uma menor percentagem da sua força máxima e por isso irá estar e sofrer um menor efeito da fadiga. Seguidamente e no mesociclo de acumulação passamos a desenvolver as resistências de força, uma vez que precisamos que os nossos atletas tenham essa mesma força de resistência em momentos decisivos da competição que são aqueles onde se faz a diferença. No mesocilo de realização desenvolvemos as capacidades de velocidade, uma vez que como anteriormente verificamos este mesociclo é onde se pretende o “afinar da forma física”.

A velocidade está dependente da capacidade de força que o ciclista é capaz de aplicar sobre os pedais, uma vez que a velocidade é o deslocamento a dividir pelo tempo e o deslocamento está dependente da aceleração que se imprime á bicicleta. Por sua vez a aceleração é o resultado da força exercida sobre a massa. Assim, o deslocamento vai depender da aceleração,e então, a velocidade pode ser vista como estando dependente da força.

 

Em relação as capacidades bioenergéticas, no mesociclo de acumulação, devemos desenvolver a resistência aeróbia, uma vês que esta é a capacidade base do nosso desporto e também porque trás consigo varias adaptações das quais podemos destacar o facto de depois de desenvolvermos esta capacidade, termos uma melhor capacidade de recuperação entre series de elevada intensidade.

No mesociclo de transformação, devemos desenvolver a resistência mista e anaeróbia, uma vês que este mesocilo é, como foi referido, mais direccionado para a modalidade, e como nos sabemos, precisamos que os nossos recursos e a nossa capacidade de utilização dos mesmos esteja adaptada não só para momento de baixa intensidade, mas também e principalmente em fases de maior intensidade onde se define a corrida.

No mesocilo de realização, devemos promover uma preparação integrada, uma vez que este pretende o aprimorar das nossas capacidades de utilização dos diferentes substratos energéticos e como tal, devemos desenvolver um trabalho similar e de adaptação á competição.    

   

 

No que se refere á técnica, devemos no mesociclo de acumulação desenvolver a formação técnica básica, ou seja, aquela que nos permite a resolução das dificuldades que possam surgir no percurso ou durante a prática da modalidade. Seguidamente, e no mesociclo de transformação, devemos desenvolver a tolerância á fadiga da técnica, ou seja, devemos preparar o ciclista para ele ser capaz de aplicar a sua técnica de forma correcta e com sucesso, mesmo quando este esta sob o efeito da fadiga, pois como sabemos a fadiga diminui (momentaneamente, ou seja apenas enquanto esta sob o efeito de fadiga) as capacidades cognitivas e técnicas dos atletas.

Por último, ou seja, no mesociclo de realização, devemos desenvolver o domínio técnico e táctico, ou seja, como já estamos próximos do nosso objectivo, devemos conseguir melhorar a interacção entre a técnica e a táctica quer individual, quer colectiva dos ciclistas. Como verificamos anteriormente, esta é a fase de “afinar” o atleta, e por isso, este deve ter potenciado também este aspecto que pode ser determinante, uma vez que sabemos que a técnica e a táctica devido ao elevado nível e á igualdade entre os ciclista que hoje o ciclismo tem, pode desempenhar um papel fundamental na resolução de uma corrida. Por exemplo, se eu tiver uma competição de várias etapas onde sei que vou ter um contra-relógio que é decisivo, eu vou ter de preparar o meu atleta técnica e tacticamente para esse contra-relógio. E mesmo que eu o comece a fazer com muita antecedência, se eu não o fizer também no mesociclo anterior á competição, o atleta não vai conseguir render ao seu máximo, pois só neste mesociclo é que o atleta já tem as suas capacidades potenciadas e é agora é que ele tem de adaptar a aplicação destas capacidades á máquina (embora ela possa vir a ser feita já anteriormente). Na prática, ele antes não era capaz de andar a 50 km/h e agora já é, e por isso é preciso que ele tenha um treino técnico e táctico que o prepare para na competição ter um desempenho máximo, uma vez que por exemplo, curvar a 50km/h que ele consegue agora, é diferente de curvar a 30 km/h que ele fazia no mesociclo de acumulação.   

 

  

 

Pré-época

Estando nós nesta época do ano, é com alguma alegria que vemos cada vez mais um número crescente de pessoas a valorizar o trabalho efectuado durante a época de defeso.  

Durante a mesma, pretendemos dotar os atletas de condições física que os preparem para a competição, e promover alguns equilíbrios estruturais de forma a evitar lesões. No entanto,  pretendemos também aqui potenciar o rendimento dos atletas e por isso não vemos esta preparação apenas como profiláctica (promovendo a integridade física dos atletas e o reforço geral no sentido de evitar lesões), mas também, e desde já, como promotora de um melhor rendimento desportivo. 

Assim, e neste sentido a nossa proposta de trabalho de pré-época baseia-se em três fases:

1º Preparação física geral

2º Preparação especial

3º Preparação específica

 

Preparação Física geral

Nesta pretendemos começar o trabalho e a preparação de uma nova época competitiva. Aqui enquadramos todo o trabalho de reforço geral e aquisição de uma condição física que nos permita trabalhar de seguida de forma mais direccionada. Deste já pensamos existir uma referência importante a fazer, cuidado com o tipo de trabalho a efectuar, e em particular o trabalho no ginásio (atenção Às posturas adoptadas e às cargas) e com o aumento de massa muscular. Mais massa muscular quer dizer que é mais músculo para alimentar em cima da bicicleta, e a massa não funcional só trás percas (em potência relativa, em Vo2 relativo á massa corporal, na potência crítica, etc). Algumas actividades interessantes nesta fase podem ser: caminhadas, musculação, natação e variantes de hidro. No entanto, devemos lembrar-nos sempre que estamos num trabalho complementar a algo...o ciclismo...e por isso não colocar completamente de lado as bicicletas (estrada e btt).

 

Preparação especial

Nesta fase, começamos a direccionar as nossas escolhas das actividades e dos exercícios, para a nossa modalidade. Assim, devemos começar a trabalhar mais com exercícios que solicitem os grupos musculares que promovem o rendimento do ciclista. Devemos também começar a ter em atenção, e a condicionar por vezes, os ângulos de trabalho para que estes sejam idênticos aos ângulos de trabalho em cima da bicicleta. Aqui pretendemos, não uma intervenção profiláctica, mas sim o desenvolvimento e melhoria das capacidades (em particular força) e promoção do desempenho do ciclista.

 

Preparação específica

Nesta fase, propomos apenas o trabalho específico de acordo com as necessidades da modalidade e de cada ciclista e o trabalho de readaptação e desenvolvimento das capacidades necessárias á competição. Será altura de transpor todo o trabalho desenvolvido anteriormente para a bicicleta de forma e optimizar o rendimento sobre a mesma. Pode e deve ser utilizado trabalho complementar, no entanto este deverá estar completamente enquadrado com a modalidade (trabalhar a musculatura de forma identica ás solicitações que esta vai ter em cima da bicicleta - ângulos de trabalho, velocidades de execução, etc.) 

 

 

Seguindo esta linha de raciocínio, os nossos atletas deverão em cada fase trabalhar de acordo com diferentes objectivos e obedecendo a diferentes tipos de solicitações. No ginásio, existem planos distintos para cada uma das fazes que não devem ser alterados ou alternados indiscriminadamente.    

Assim, a todos aqueles que trabalham ou pretendem vir a trabalhar connosco... não se baldem J. Cada etapa tem a sua importância.

Bons treinos

  

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